Conversa de gente grande

Falando de tudo um pouco



9.2.09

Algo parecido com uma festa está ocorrendo logo aqui ao lado. Tranco a porta, mas o som, tal e qual a água que nos escapa por entre os dedos, teima em forçar passagem e escandalosamente adentra minha casa.

Tocam Funk, tocam Funk.

Penso então:

- Oh! Como adoro Funk! Gosto dos momentos (quase todos) em que há muita letra pra pouca música e daí então o DJ, como se fora um narrador de corrida de cavalos dispara uma saraivada de palavras. Lembra superlotação de presídio, sabe? Ao final, o moço já um pouco sem fôlego, como uma afogado que vem à tona buscar ar, lança-se à parte seguinte, numa rotina que se repetirá até o, digamos assim, acorde final.

- Oh! Como adoro Funk! Gosto da adjetivação lançada às mulheres. E tome cadela, cachorra, vagaba e toda a variação que o tema comporta. E elas gostam. Talvez, diga-se, sejam os únicos viventes que conseguem gostar mais de Funk do que eu. Gosto da abordagem das letras. Fala-se muito de cachorra, de violência, de cachorra, de violência, de cachorra, de violência, de cachorra...

- Oh! Como adoro Funk! Ouço-o e não consigo vislumbrar que por trás de tudo aquilo haja alguém tocando violão, guitarra, bateria ou o que quer que seja. São geniais esses funqueiros acabaram com esse negócio de músico, basta um sample. Gosto demais da variação melódica, gosto da dicção dos DJs. Gosto de tudo, gosto de tudo...

Ouço daqui: Vou arregaçar você, vou arregaçar você, vou arregaçar você (e a coisa se repete ao infinito).

- Oh! Como gosto de Funk.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 9:35 PM



Algo parecido com uma festa está ocorrendo logo aqui ao lado. Tranco a porta, mas o som, tal e qual a água que nos escapa por entre os dedos, teima em forçar passagem e escandalosamente adentra minha casa.

Tocam Funk, tocam Funk.

Penso então:

- Oh! Como adoro Funk! Gosto dos momentos (quase todos) em que há muita letra pra pouca música e daí então o DJ, como se fora um narrador de corrida de cavalos dispara uma saraivada de palavras. Lembra superlotação de presídio, sabe? Ao final, o moço já um pouco sem fôlego, como uma afogado que vem à tona buscar ar, lança-se à parte seguinte, numa rotina que se repetirá até o, digamos assim, acorde final.

- Oh! Como adoro Funk! Gosto da adjetivação lançada às mulheres. E tome cadela, cachorra, vagaba e toda a variação que o tema comporta. E elas gostam. Talvez, diga-se, sejam os únicos viventes que conseguem gostar mais de Funk do que eu. Gosto da abordagem das letras. Fala-se muito de cachorra, de violência, de cachorra, de violência, de cachorra, de violência, de cachorra...

- Oh! Como adoro Funk! Ouço-o e não consigo vislumbrar que por trás de tudo aquilo haja alguém tocando violão, guitarra, bateria ou o que quer que seja. São geniais esses funqueiros acabaram com esse negócio de músico, basta um sample. Gosto demais da variação melódica, gosto da dicção dos DJs. Gosto de tudo, gosto de tudo...

Ouço daqui: Vou arregaçar você, vou arregaçar você, vou arregaçar você (e a coisa se repete ao infinito).

- Oh! Como gosto de Funk.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 9:34 PM



20.10.08

Esse seqüestro ocorrido na região do ABC - São Paulo deixa entre mortos e feridos (literalmente) algumas verdades que não podemos esquecer. O mais grave é que os problemas que essas verdades evidenciam estão longe de qualquer plausível solução.

Nossa polícia não sabe lidar com seqüestros. Tão logo um (seqüestro) tem início e havemos de nos pôr a rezar para que o seqüestrador seja uma pessoa equilibrada e de boa índole. Normalmente eles não o são e os finais (por isso mesmo) são trágicos.

Não temos bons negociadores (função que, aliás, acho deveria ser reservada a um bom psicólogo), não temos atiradores de elite. Não temos nada e essa é a triste verdade.

Esse tipo de seqüestro é terrível para a polícia (mesmo para as melhores do mundo).

Se a negociação se estende e o final é trágico, toda a culpa recai sobre a polícia que não teve iniciativa e deixou ao alvedrio do miliante (gostou dessa) o desfecho do evento.

Por outro lado, se ocorre a invasão, a culpa também é da Polícia que, nesse caso, não esgotou todas as possibilidades permitidas pela negociação.

No Casus Brasilis a coisa é mais grave. Ocorre o homicídio e a invasão.

Vem a polícia e diz que o homicídio antecedeu a invasão. A perícia afirma o contrário, ou seja, deu-se a invasão e só então ocorreu o homicídio.

Insatisfeita com todo esse macabro cenário, resolveu nossa indômita polícia dar uma contribuição tipicamente tupiniquim para a "HISTÓRIA DOS SEQÜESTROS".

Liberta uma das reféns e constatado seu traumatizante estado e ei-la içada à condição de negociadora.

Retorna ao cativeiro e sai de lá devidamente baleada.

Não há palavras que consigam dar conta de tamanho absurdo. Contentem-se, pois, com a eloqüência do silêncio.

Tudo nesse caso nos remete à nossa condição de país pobre (por mais que a VEJA insista na posição contrária).

A região é um pólo industrial, há vários condomínios construídos para abrigar os operários das fábricas que vicejam no local.

Nossas polícias também revelam todo o peso de nossa miserável condição. São pessimamente aparelhadas, despreparadas, corruptas e inteiramente inconscientes da necessidade de desempenhar as funções para a qual foi criada.

Especializou-se na prática de crimes (confira-se no noticiário a enorme gama de crimes atribuídos aos integrantes de nossas polícias) e matança de pobre.

Em meio a todo esse caos, no entanto, algo nos remete ao primeiro mundo. Primeiríssimo, eu diria.

Algumas ONGs e setores da imprensa afirmaram que foi truculenta a ação da polícia.

Vejo tudo isso e mais admiro meu ateísmo. Abri mão da última tábua de salvação lançada aos brasileiros, a saber, rezar antes de sair à rua.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 12:37 PM



14.9.08

Confesso que fiquei algo titubeante ao lhe escrever.

A semana foi cheia, surpreendente, emocionante mesmo. Temi que ao seu espírito acorresse a mesma inquietação que ao meu causou abalos.

Bem sabes que Sandy contraiu bodas e eu que jurava que o tal do Júnior fosse seu amante. Descubro agora que não. Era irmão e cantava. O mundo não cansa de nos surpreender.

Juliana Paes também subiu ao altar. Talvez deixe agora de ser a gostosa da Antártica. Quiçá não caia bem a conhecida alcunha numa senhora casada. Talvez a futura prole também venha afastá-la de propagandas que instam os espectadores ao vício, ainda que, é claro, moderadamente.

Na mesmíssima semana, estupefato vi Dunga a desancar um jornalista que disse que a Bolívia era a lanterna das eliminatórias. Lanterna, ele disse, era termo desrespeitoso. Iria, pois, ensinar a seus pupilos a não utilizar tal vocábulo, eis que os jogadores da Bolívia eram, assim como eles, trabalhadores a busca de levar para casa o pão nosso de cada dia.

Você certamente deve ter visto o jogo e concluído que, indubitavelmente, os bolivianos trabalham mais que nós.

De minha parte, vez mais, por-me-ei a seguir as pegadas de meu divino guru (sim, o Dunga). Ficam doravante banidos os termos a seguir elencados: pelota, gramado, lençol, ovinho, drible da vaca, elástico, travessão, bomba, rede.

Também ficam os jogadores desobrigados a chamar os técnicos de professores, até porque os torcedores presentes ao Engenhão rebatizaram o nosso dândi. Onde lê-se Dunga, leia-se burro. E tenho dito.

Também a cartilha VEJA não nos deu sossego.

Ao comemorar 40 anos, não se furtou a lançar um especial comemorativo.

Logo ao, digamos assim, primeiro verbete, dedicado ao maio/68 francês, assim se referiu a DANIEL COHN-BENDIT “Trocou o vermelho pelo verde da ecologia e elegeu-se deputado do Parlamento Europeu – o emprego que todo revolucionário pediu a Deus”.

Eis o que VEJA pensa da esquerda. Eis o que VEJA pensa de todo e qualquer pensamento que não se alinhe à sua linha editorial. E pensar que deveríamos estar a festejar a diversidade.

Em sua Edição nº 2077 a surpresa ficou por conta de ROBERTO POMPEU DE TOLEDO. Teceu loas ao projeto do Ministro Jobim que pretende fazer do serviço militar um “nivelador republicano”, apto a abalar o muro entre as classes.

Em edições pretéritas já vi o nobre articulista desancando as forças armadas e clamando para que alguém arrumasse algo de que se pudessem ocupar os militares.

Qualquer tentativa tendente ao fortalecimento das ditas instituições militares cheira a mofo.

Lembram paradas militares, trazem à memória as recentes ditaduras que sobremaneira nos assolaram, lembram os desfiles nazistas, lembram Hitler, Mussolini, Stalin, enfim.

Lembra o homem que ainda somos, aquele que permite que a arma substitua a palavra.

Ainda, porém, somos dados a sonhos. Se pretendemos um mundo sem armas, soa algo anacrônico, convenhamos, o fortalecimento do quase findo serviço militar (quer obrigatório ou não).

A não ser, é claro, que consigamos uma guerrinha.

A última (de triste lembrança) foi a do Paraguai e vive a emporcalhar as biografias de Caxias e Conde D’eu (A Guerra do Paraguai – Genocídio Americano de Julio José Chiavenatto).

À semelhança daquela poderíamoa eleger um alvo. Que tal a Venezuela? Os americanos iriam adorar.

Seria algo difícil conseguirmos parceria. Na guerra do Paraguai, o Brasil aliou-se à Argentina e ao Uruguai e deram conta do “poderosíssimo” Paraguai.

Iríamos sós. À frente, é claro, nossos indômitos voluntários. Assistiríamos ao desaparecimento do hiato que insiste em afastar ricos e pobres.

Finalmente nossos generais teriam uma guerra, nossos pobres sua cota ideal de chumbo e nós acompanharíamos tudo pela TV.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 2:24 PM



19.7.08

Durante anos adiei o meu projeto de lançar ao corpo uma tatuagem. Isso até 2003.

Saía à rua, via multidões tatuadas e acabei por concluir que aquilo que a princípio era marginal tornara-se oficial. Tudo o que faltava era uma publicação no Diário Oficial tornando obrigatório o uso de tatuagens. Usá-la, pois, havia se tornado uma medida de conformidade, imitação. Com o tempo elas foram se tornando pasteurizadas, pastichadas, uniformes. Perdera o poder de expressar uma idéia, conceito ou o que quer que fosse.

Ademais, meu corpo extremamente belo dispensava o uso de qualquer tipo de adorno. Estragaria-o, eu dizia sempre.

Um outro argumento, este definitivo, para o não à tatuagem, advinha do fato de que (?) as usava.

Essa resistência, como já disse ao início, ruiu em 2003.

Não queria qualquer um a manipular agulhas em meu corpo. Após intensa procura resolvi que a melhor solução seria utilizar alguém que, ocorrendo algum imprevisto, pudesse prontamente me socorrer. Chamei o mais famoso cirurgião cardíaco do Rio de Janeiro. Comigo é assim. Tudo ou nada.

Após intensa pesquisa dos desenhos tribais resolvi rejeitá-los. Cheguei a pensar em alguns ideogramas orientais (ia colocar um cardápio com os nomes e preços de diversos pratos) depois também desisti. A seguir fiquei um longo tempo pensando em lançar à pele o símbolo de IN/IANG (com certeza não é assim que se grafa, mas você sabe do que estou falando). É um círculo com uma parte preta e outra branca que se confundem. Também essa idéia foi rejeitada. Dizem que o círculo é a mais perfeita das figuras geométricas e eu odeio perfeição.

Olha-se o círculo e não se sabe onde ele começa ou aonde termina. Ele dá a sensação de infinitude e acho tudo isso uma grande bobagem.

Resolvi fazer duas retas (uma no peito e outra na perna). Basta que se as olhe para que de imediato perceba-se que têm fim e começo. Dependendo do ângulo elas podem estar na horizontal ou na vertical.

Ao longo das ditas retas tracei diminutas linhas que as cruzam. Tem-se pois que as retas são os caminhos e as pequenas linhas os descaminhos. Essas pequenas linhas não são uniformes, como se estivessem a demonstrar que ao sair-se do caminho o retorno é incerto e não ocorre a intervalos constantes.

Algumas dessas pequenas linhas também têm uma conformação diferente, lembram algo que se tenha inflamado. Sua finalidade é mostrar que descaminhos doem e que as marcas que ficam nem sempre têm bom aspecto.

Enfim, são essas as minhas tatuagens.

Sempre que as mostro alguém me diz que elas não contêm mensagens, são apócrifas e que não nos remete a nada (nem a ninguém).

Rio-me. Olho as pequenas linhas e vou lendo: Tamires, Bruno, Genessi (minha mãe), Inês.


postado por: TADEU DSOS SANTOS 6:31 PM



18.7.08

DA SÉRIE ONDE OS FRACOS SÓ SE FERRAM

Você tem acompanhado a discussão sobre a utilização de algemas nas pessoas que cometem
o chamado CRIME DO COLARINHO BRANCO?

Alguns ministros do STF entendem que aquele procedimento é deveras inadmissível. Argumentam
que tal conduta conduz o preso à uma situação de desnecessária humilhação.

Ouço tudo isso e concluo que também me sinto profundamente humilhado a cada
oportunidade em que os Cacciola/Nahas/Dantas da vida afanam milhões de reais dos cofres públicos.

Ao sentimento de humilhação segue-se uma enorme tristeza. Sei dos inúmeros
projetos sociais que deixarão de seguir adiante graças aos reiterados atos cometidos por essa gente que se
auto-denomina empresário.


Todos sabem que uma das amarras do Brasil à eterna categoria de país em vias de desenvolvimento
(nunca chegamos lá) consiste justamente na prática generalizada desse tipo de crime.

É um verdadeiro crime de lesa-pátria.

Olho, por outro lado, a PM matando gente como se estivesse a matar moscas.

Ainda não eliminamos a prática de literalmente atirar seres humanos nas caçambas de
camburões. Tratamento que ainda que dispensado a gado, seria igualmente desrespeito.
Nas bocas de fumo a PM só chega (quase nunca, é verdade) batendo.

Atreva-se a furtar um bem na prateleira de algum mercadinho e não duvide, você sairá de lá devidamente algemado.

Todavia, soa ultrajante que aos praticantes do crime do colarinho branco sejam lançadas algemas aos punhos.
Isso, convenhamos, não é nada republicano.

Como já disse alguém: RESTAURE-SE A MORALIDADE OU LOCUPLETAMO-NOS TODOS.

Gostaria de ver aqueles indômitos Ministros do STF batendo-se com a mesma
galhardia sempre que um cidadão comum fosse esbofeteado pela polícia ou sempre
que alguém já eivado de escoriações fosse atirado no camburão algemado.

Pode-se objetar que tais ilícitos escapariam à competência da mais alta corte do pais.
Pois que exteriozassem sua indignação na justa e reta condição de cidadãos.

O Brasil, decerto, seria o mesmo. Porém, os Ministros do STF demonstrariam a todos
que finalmente haveriam apreendido o real sentido, bem como o real alcance da palavra república.


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DA SÉRIE: O QUE NÃO FAÇO PELOS MEUS AMIGOS

Descubro nas páginas amarelas de VEJA que o ministro Carlos Ayres Britto
era motorista de Lula (quando este ainda não era presidente) sempre que o
então candidato visitava SERGIPE.

Ele era o único possuidor de carro com ar condicionado dentre os amigos de Lula.

Li a entrevista e fiquei lembrando do célebre diálogo travado por Sócrates e Platão.

Platão teria dito a Sócrates:

- Mestre sei apenas de uma coisa - SÓ SEI QUE NADA SEI.

Ao que Sócrates teria retrucado:

- Pois já sabes muito, posto que nem mesmo isso eu sei.

Lula e Carlinhos (sim, assim ele era chamado pelos íntimos) tiveram um
diálogo parecido;

Carlinhos teria dito:

- Barba, eu só sei de uma coisa: Não sei de porra nenhuma.

Ao que Lula respondera:

-É mesmo Carlinhos? Pois então tu vai ser Ministro do Supremo.

E Carlinhos:

- Já pensou Barba? Tu presidente e eu Ministo. É nóis mano.

MORAL DA HISTÓRIA: Compre um carro com ar condicionado. Dá o maior pedal

postado por: TADEU DSOS SANTOS 3:39 PM



1.7.08

Você leu o artigo de Roberto Pompeu de Toledo (veja, edição 2067, ano 41, nº 26)? O título é Primeira e Dama. Refere-se, é claro, à D. Ruth Cardoso e cuida-se, evidentemente, de uma homenagem.

Lá pelas tantas ele diz que D. Ruth estava a mordiscar uma goiabada quando repentinamente fez “uh”, como um soluço, como um arrepio vindo das entranhas, e caiu desacordada para não mais se recuperar

Tece, a seguir, longas loas à morte repentina, aquela que poupa o de cujus, amigos e familiares da longa agonia.

Confesso que não sou um profundo conhecedor da biografia de Dona Ruth. O pouco que sei, porém, parece indicar que era dada ao recolhimento e que sua propalada elegância residia exatamente na forma reservada como viveu a vida. Sem espalhafatos. Fazia o que devia e não saía a alardear o feito. Jactância, ao que tudo indica, não era um vocábulo cultuado por D. Ruth.

Creio, pois, que se a ela fosse concedido algum pedido e certamente ela pediria para que detalhes de seus últimos momentos não viessem a público. É irrelevante saber se ela comia ou não goiabada. Se fez ou não “uh”. Não há dignidade nisso. Não há dignidade na morte, seja ela abrupta ou lenta.

Pelos parâmetros lançados pelo nobre articulista, haveremos de concordar que a morte de Tancredo Neves, exemplificativamente, foi eivada de indignidade.

Combinemos. Uma vida proba e prenhe de bons exemplos e atitudes confere, sem dúvida, uma enorme dignidade à vida. Morte é o esgotamento da vida e é uma grande tolice olhar a vida a partir dela.

Não há magnanimidade onde não há escolha.

É significativo o silêncio que se obtém nessas oportunidades. Ele vem porque o peso da situação o exige. Ao longo de sua trajetória, o homem, de certa maneira, conseguiu racionalizar a morte, mas a profusão de religiões aí está a mostrar o temor que ela ainda desperta e o consolo e conforto que ainda necessitamos.

O peso esmagador do silêncio atesta o lado nada natural de que é dotada a morte. Ao contrário do que comumente se afirma, parece que não nascemos para morrer e que a vida apesar de todos os seus percalços deveria seguir incólume, livre do toque da morte.

À uma certa altura o brilhante articulista transcreve o texto de João Cabral de Melo Neto escrito por ocasião do falecimento de W.H. Auden. Também aí há o entrelaçamento morte/vida. Diz João Cabral de Melo Neto que a morte respeitava W. H. Auden e por isso foi rápida e limpa (que bobagem).

Nossos rapazes, ao que tudo indica, não entendem muito de morte e leitura perfunctória de tudo o que acima foi lançado ao papel permite a ilação de que também eu sou um perfeito jejuno nessa matéria.

Acerca de dito assunto deixemos, pois, “a última palavra” ao próprio W. H. Auden (inglês, pra variar).

Vejam que lindo:

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.


postado por: TADEU DSOS SANTOS 8:02 AM



24.6.08

GRIMALDO HORÁCIO DA SILVA


A orfandade foi, sem dúvida, o meu mais terrível pesadelo de infância.

Vivia a procurar a figura paterna por toda parte. Freneticamente torcia para que minha mãe casasse e, via de conseqüência, me arrumasse um pai. Reconditamente, mal ouso confessar isso, alimentava a crença de que não era verdadeira a história de que meu pai havia morrido e vivia a imaginar seu triunfal retorno.

Obviamente a caça à figura paterna dava-se dentre as pessoas mais próximas. Uma de minhas vítimas preferidas era o meu tio Gri.

Acordava cedo. Punha o uniforme escolar (sapato preto, meia branca, bermuda de tergal azul-marinho, blusa branca, manga curta, aberta, com botões, no bolso as iniciais EP), caminha quatro quarteirões e ia ter à casa de meu tio.

Como sempre ele estava à minha espera. Ao lado a bicicleta preta. Aboletava-me no quadro e dávamos início à descida que, àquela época me parecia eterna. Meu tio descia pedalando. Ainda hoje consigo sentir o misto de medo que era sensivelmente atenuado pela confiança que a figura de meu tio me inspirava.

Era negro, alto, esguio. Parecia-me um príncipe etíope.

Falava pouco, mas contava histórias muito engraçadas. Lembro de uma impagável que envolvia meu avô, um jantar e um vidro de pimenta.

Tinha um incomensurável amor pela mãe e maravilhosas recordações de sua terra natal – CAMPOS. Ttrouxe de lá uma história sobre uma gigantesca abóbora.

Acompanhou-me por toda a infância. Mais tarde dividimos cômodos na casa da rua Cincinato Lopes.

A janta era a única refeição que fazia em casa. Chegava do trabalho e me pedia pra ir ao bar do Seu Albano comprar uma antártica. E lá ia eu ciente que do troco recebia minha moeda diária.

A seguir, postava-me à sua frente e entre uma e outra garfada, ouvia história sobre futebol. Foi assim que fiquei sabendo do Dr. Rubens, Dequinha, Biguá, Bria, Jaime, Zizinho, Danilo Alvim, Ipojucã, Ademir Menezes, Didi, Garrinha, Pelé, Pirilo, Vevé, Valido e tantos outros. Descrevia as jogadas e ainda dava as características dos jogadores.

Através de meu tio surgiu minha paixão pelo futebol e se hoje torço pelo Flamengo, todo o mérito ou quem sabe toda a culpa, também é dele.

Deu aos filhos tudo o que lhe era possível. Ótima educação, conforto, boa alimentação (tinha uma preocupação quase que excessiva quanto a isso) e acima de tudo, bons exemplos.

Trabalhava muito e bem.

Deu-me o primeiro par de tênis. Lembro da cor, da textura, do jeito que se encaixava no pé. Até mesmo da marca eu lembro – Motoca.

Aposentou-se e foi morar em Saquarema. Creio que fui o primeiro a ver a casa. Era linda.

A decisão de morar tão distante foi criticada por toda a família. Eu, por outro lado, sempre achei que ele tinha razão.

Muito cedo meu tio começou a trabalhar. Tinha muito orgulho de sua carteira de trabalho de menor. Trabalhou em engenho de açúcar em Campos. Sem parar de trabalhar fez o curso de Ferramenteiro no Senai. Do desempenho dessa profissão sustentou dignamente a si e a família.

Posso assegurar que o lazer que meu tio desfrutou (idas ao Maracanã) foi anterior à constituição de sua família. Daí em diante só fez trabalhar e trabalhar e trabalhar. Caiu numa família em que as mulheres, digamos assim, não era afeitas ao trabalho. Assim, todo o sustento da casa, recaía-lhe às costas.

Justo e mais do que justo, compreensível que, advindo a aposentadoria tenha buscado paz, sossego, tranqüilidade, enfim...

Dirão alguns que não deveria ter levado a enferma esposa para tão afastadas paragens. Ela poderia ter dito não. Afinal, sempre podemos dizer não.

Ficaram comigo a saudade e esse processo que não consigo desenrolar.

Tranqüiliza-me, porém, a certeza de que mesmo que conseguisse ficaria ainda a lhe dever as caronas de bicicleta, o primeiro tênis, as conversas sobre futebol, as moedinhas pela antártica e o amor que me foi dado pelo melhor tio do mundo.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 11:29 PM



23.6.08

Caminhava hoje pela manhã no estacionamento do Leroy quando me deparei
com a seguinte inscrição no vidro de um carro: AMO MEUS FILHOS.

Pensei um pouco e cheguei à conclusão de que essa frase é de uma redundância gritante
e justamente por ser tão redundante não tem nada de impactante e consequentemente
não deveria estar estampada num lugar daquele. Tou errado??? O contrário
seria a seguinte frase:

AMO MUITO O CARLÃO, meu vizinho do 71, há coisa de uma ano e em pleno sol
de meio dia de um domingo, deu-me uma senhora porrada na cara, em seguida
bateu nos meus três filhos. O tempo passou e há cerca de dois meses, descobri
que o Carlão, vejam vocês, anda comendo minha mulher. É... mas mesmo assim
amo muito meu vizinho Carlão. Sim aquele do 7l. Isso é ou não é algo que
causa impacto?

No sábado fui ao shopping e vi um casal com idade girando em torno dos 30
(more or less). Ele tinha uma tatuagem que se estendia ao lono do antebraço.
Nela se lia: ANA PAULA. A tal Ana Paula, não tenho qualquer dúvida, era a
moiçola que lhe ia ao lado.

Sei que a sensação de eternidade é ínsita à paixão. Todos que já estiveram
loucamente apaixonados sabem que acharam que aquele sentimento jamais acabaria
e que ao fim e ao cabo, estariam lá os dois. No caso, o tatuado e Ana Paula.
Juntinhos e cercados de netos. Tal ilusão se permite até os 12 anos, no more.

Tou certo??? Ultrapassada a barreira dos 12, devemos ter maturidade suficiente
para não dar muito crédito às paixões. Depois dos 12 estamos obrigados a
saber que paixões e tatuagens mudam. As paixões mudam de nome (aliás esse
é o grande barato das paixões) e as tatuagens mudam de forma. O que antes dos 30 anos
era uma interrogação, vê-se convolada com a chegada dos 40, numa tímida vírgula.
Assim são os jovens, nunca dão a Cesar o que é de Cesar, e passam a vida a
confundir o transitório com o definitivo. Isso sempre foi assim, mas com
o advento da tatuagem, passaram a jogar efêmeras sensações na pele que, queiramos
ou não, seguir-nos-á até o fim.

Minha filha foi à uma festa e voltou com uma tremenda tromba.
É que na tal festa só rolou funk e ela odeia funk. Vês? Nem tudo está
perdido. Fico orgulhoso ao constatar que ela nada contra a corrente.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:27 PM



Sempre me indignei com o fato de Xuxa ter ap em New York e ter sido necessário
fazer vaquinha pra enterrar o Altemar Dutra. Olhando porém, como as coisas
se passam em Hollywood, talvez sejamos tentados a concluir que a injustiça
é um fenômeno universal (sem dúvida que é) ou que, conclusão mais lógica, apenas,
como boa e comportada colônia, apenas reproduzimos o que se passa na metrópole.

Vejamos:

Nesse filme "A ILHA" atua um cara chamado Steve Buscemi. Eu o acho fantástico.
Pouquíssimas vezes o vi desempenhando um papel digno de seu talento. Pois
bem, aquela mesma indústria cinematográfica, já colocou o Mark Wahlberg pra
fazer o 'PLANETA DOS MACACOS", também conseguiu colocar Leonardo Di Caprio
pra fazer Titanic e Gangs de Nova York (entre outros), colocou Orlando Bloom
pra fazer Tróia, Tudo acontece em Elizabethown (não deve ser assim) e ainda
pra fazer cruzada (com direito a ser filho do Liam Nilsen, aquele da Lista
de Schindler (não confundir com a marca de elevadores). Lembra? É aquele cara
que conseguiu rir dos nazistas e enriquecer com mão de obra judia (não sei
qual das tarefas é a mais árdua). Aliás Lian Nilsen (que eu não sei se é
judeu, mas que é amigo do Spielberg desde os tempos de Guerra nas estrelas
- filme que se você por acaso não tiver gostado é porque não tem se drogado
o suficiente.

Pois bem, some os três (Di Caprio, Wahlberg e Bloom) e o resultado
não alcançará 50% do talento do grande Buscemi.O mais triste é que é muito,
mas muito mais fácil mesmo encontrar rostinhos bonitos (o que aliás não é
o caso de Wahlberg e Bloom) do que talentos da magnitude de Buscemi. Diga-se
o mesmo para Giovanni Ribisi. Há um filme dele com a Juliete Lewis -aquela
do Cabo do Medo- em que fazem ambos papéis de deficientes mentais e os desempenhos
são simplesmente sublimes.

E viva Narjara Turetta.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:18 PM



Li a notícia que trata da separação do casal Deborah Secco e Falcão. Só hoje
(com a tal separação) é que fui descobrir que eles estavam noivos.

Como é que alguém me esconde uma coisa dessas? Noivado, como é de sabença geral
(essa é ótima, né não?) trata-se de hábil manobra formulada pelo espírito
masculino com vistas a ter sua entrada facilitada nas hostes femininas (porra
tô inspirado). Com o passar do tempo tal artifício tornou-se dispiciendo
(olha eu aí de novo). Já tem pais liberando a cama pra filhos adolescentes,
daí eu pergunto: WHY? WHY? WHY? (é assim mesmo?)

Também li a entrevista do jogador Carlos Alberto do Figueirense. O
tal que forjou um gato pra poder jogar bola e sustentar a família. Deve
pegar 720 dias de suspensão. Ele já tem 28 anos, daí que podemos concluir
que sua carreira está encerrada. Ele ai voltar pra miséria. Dessa vez nem
mesmo o futebol conseguiu salvar um mal nascido. É a lei, é o que certamente
dirão todos.

Sabemos, porém, que toda e qualquer análise deve-se dar de forma
contextualizada e em que pese a célebre frase da grande jusfilósofa Turetta
formulada no livro "Eu e FÊ e que se fodam os outros": uma coisa é uma coisa
e outra coisa é outra coisa (também denominado princípio da individualização
das coisas), vamos misturar as coisas.

No país do Mensalão, Sanguessuga, mensalinho (Severino Cavalcanti), Telemar
e Lulinha, em que não há cifra inferior a milhão de dólares, em que os envolvidos
são o presidente da república e família, o partido do presidente, todo o
congresso nacional. Os caras ganham dinheiro liberando verba pra compra de
ambulância enquanto nego morre na fila do hospital. Não tem ninguém preso,
ninguém suspenso e os caras ainda foram reeleitos e o que é melhor: não devolveram
um centavo sequer.

Pois é, um país desses deveria sentir vergonha por impedir alguém de trabalhar.

Me desculpe o tom é que está chegando o final de semana, daí que fico igual
a todos os demais e isso não faz muito bem pra minha personalidade.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:14 PM



Eis a manchete de hoje (domingo) de um jornal cujo nome não recordo: Unificação
das polícias pode ser a solução dos problemas da Polícia Militar.

Imagine que até hoje eu achava que nós sim (mero populacho), tínhamos problemas
e eis que de sopetão, sem qualquer pré-aviso, me cai na cabeça essa notícia

- A POLÍCIA MILITAR TEM PROBLEMAS.

E eu achando que problema tinha a família do rapaz cujo pai foi acometido
de mal súbito (veio a falecer depois) e que o vendo (o pai) naquele estado
saiu correndo (de moto) com um amigo e avistando um taxi correu para falar
com o motorista e assim que chegou à janela do taxi foi fuzilado pelas costas
pela polícia.

Ambos (o pai e o filho) morreram. E ainda há quem diga que a polícia é ineficiente.
Orra meu! 100% de eficiência, com um tiro só matou dois inocentes. Ainda
assim, fica meio que suspensa a seguinte interrogação: e se o rapaz fosse
realmente um ladrão a roubar um taxista? Matá-lo pelas costas ainda assim
seria a melhor solução? Esse é o procedimento ensinado na Academia de Polícia?
Ou simplesmente inexiste qualquer procedimento a ser seguido pela polícia?

Sejamos sinceros, a polícia não tem problemas. Os de ordem financeira são
resolvidos com as chamadas blitz, também conhecidas pela sigla EMAI "Espoliação
de Motoristas em Atraso com o IPVA - EMAI". No que tange à violência eles
também não podem reclamar (nós sim).

Convenhamos, em 500 anos de história e esse país jamais assistiu a uma convivência
tão harmônica entre bandidos e policiais. A simbiose é tamanha que não fosse
pela farda e não saberíamos quem é quem. São figuras miméticas (isso é um
neologismo - tá fresquinho - acabei de inventar).

Li (em algum lugar) que o secretário de segurança da Colômbia, até então
considerada a cidade mais violenta da América Latina) conseguiu reduzir
a taxa de homicídios que era de 80 para cada 100.000 habitantes para 18/100.000.
A redução foi drástica. Para tanto houve um aumento de 1000% na verba para
segurança pública. Adquiriram-se novas viaturas, armas modernas, informatizaram
a polícia enfim... A seguir expulsaram os policiais corruptos (redução de
quase 80%). enfim...

Há modelos, o que falta é político que tenha o espírito daqueles enfermeiros
durões, ou seja, alguém que meta, mas meta mesmo, o dedo na ferida.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:12 PM



Ao que tudo indica voltou à moda a velha mania fulcrada nos primórdios do Direito Natural
e que consiste no inalienável direito de que são possuidores os cônjues traídos de
promoverem a autodefesa da região situada ao norte de suas sobrancelhas.

Ai que saudade daqueles tempos em que o corno vitimado evocava a ira divina e dizia:
ELA HÁ DE PAGAR. TÃO CERTO QUANTO EXISTE DEUS NO CÉU. ELA HÁ DE PAGAR.
E lá seguia a faceira toda prosa fazendo novas vítimas.

Agora mesmo tivemos o sequestrador do ônibus. Ele leva uma bola nas costas
(deve ter dado motivos pra isso) e os pobres passageiros é que pagam. Imagine
o diálogo travado entre dois daqueles infortunados usuários: E aí? O que houve?
É ladrão? É do PCC? È terrorista? E o outro: Não. É corno.

Ai que saudades do tempo em que chifrismo se curava com lágrimas no travesseiro.

Mas dizia eu que tal mania voltara à moda, porque não faz muito tempo era
costume dar-se cabo à vida de mulheres infiéis. Inquiridos diziam os maridos
traídos: Fí-lo na mais legítima defesa da honra. Após alguma hesitação o
judiciário trancafiou por uma boa quantidade de anos o mais emblemático dos
cornos: DOCA STREET. Lembra???

A vítima era a pantera mineira Angela Diniz e a derradeira ponta do triângulo
amoroso, Ibrahim Sued. A pantera, ao que tudo indica, era chegada num homicida.
O marido por óbvias razões e Ibrahim por matar a língua pátria toda vez que
abria a boca. Era natural da Arábia Saudita, Líbano ou algo que o valha.
Fosse aquela bestial criatura um terrorista e aquelas torres gêmeas iriam
dar crias.

A essas vítimas do fim do amor (comumente denominado adultério) um conselho.
Às expressões - O SER HUMANO NÃO MUDA - DEPOIS DO SÁBADO VEM O DOMINGO E
ESSE ANO O FLUZÃO VAI PRA SEGUNDONA - deveríamos acrescentar alguma que tratasse
da finitude de todas as coisas (dentre elas, é claro, o amor). Ele termina
e a vida, impávida como ela só, segue. Sigamos, enquanto der, junto.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:09 PM



Tão ingênua é a Danuza Leão. A distração a impediu de ouvir o diálogo travado
pelos cônjuges naquela ocasião.

E Marisa estava um tanto quanto curvada sobre a mesa. Um desavisado espectador
seria capaz de confundí0la com uma daquelas personagens de Zola, mas a cena
era genuinamente brasileira. À sua frente uma enorme quantidade de pães.
Já estavam cortados ao meio. Lurian que chegara cedo da escola já fizera
essa parte do trabalho. À sua direita, tal e qual uma montanhas cor de rosa,
erigiam-se punhados de mortadela.
Eis que mansamente dela se aproxima um homem de barba espessa, já à época
corpulento e sussurra-lhe ao ouvido.
- Companheira minha nega, logo, logo isso termina e tu nunca mais vai precisar
ficar metendo essa mãozinha nessa mortandelas e o único som que a esse ouvindo
chegará será o do farfalhar das notas de dólar roçando nesses seus dedinho.
Companheira minha nega, depois 500 anos de história eles finalmente vai
entender o significado da expressão "transferência de renda".
E foi assim que tudo se passou.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:07 PM



Maravilhoso o artigo escrito por ROBERTO POMPEU DE TOLEDO "O Irresistível
Charme da Guerra Civil", veja, edição nº 1983. Na medida em que ia lendo
o artigo, me auto-indagava: E ele não vai falar da África? Falou.

Em síntese, o especialista Edward Luttwak, propõe a retirada americana do
Iraque e a ulterior eclosão de uma guerra civil, onde os iraquianos acertariam
suas diferenças. Diz que é pra isso que serve uma boa guerra civil.

Recapitulemos:

O Iraque detinha armas de destruição em massa (1), dava guarida a terroristas
(2) e Saddam Hussein era uma ameaça à paz mundial (3) e impecilho mor à instauração
da democracia em solo iraquiano (4).

Provaram-se que as premissas 1 e 2 eram inteiramente falsas, que a terceira
é apenas e tão somente falaciosa e que a quarta é genérica, haja vista que
salvo raríssimas exceções, é bem mais fácil achar oásis no deserto que democracia
no Oriente Médio.

Todavia, em nome de todas essas falsas premissas os EUA invadiram o Iraque
e não sei bem o número, mas creio que os mortos já andem na casa do milhão.

Cabe uma visitinha à qualquer país assolado por guerra civil. Que se vá à
África ou ainda ao Afeganistão. No filme o Caminho para ... (esqueci o nome)
rola uma cena em que aviões jogam pernas mecânicas de pára-quedas e dezenas
de mutilados correm pelo deserto (de muletas) para tentar pegar as pernas.
Até hoje as pessoas perdem pernas nas minas.

O mais triste a se concluir depois dessa covarde invasão americana ao Iraque,
é que Saddam Hussein era um mal menor. Não tenho dúvidas de que ocorrendo
a guerrra civil, xiitas, sunitas e curdos sentirão muita, mas muita saudade
mesmo de Saddam.

Quanto aos EUA, nem um mísero, ainda que meramente protocolar, pedido de
desculpas.

postado por: TADEU DSOS SANTOS 10:01 PM




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